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Artigo

VRF, dos componentes à manutenção

Volume de Refrigerante Variável requer conhecimentos específicos do refrigerista

Por João Agnaldo Ferreira
30 de julho de 2025
- Tempo de Leitura:7 minutos
Foto: Shutterstock

Conhecer a fundo os componentes do ar-condicionado com Volume de Refrigerante Variável – VRF e suas funções no sistema é fundamental para os técnicos refrigeristas que os instalam e mantêm.

Por isso, dedico este artigo a complementar o anterior, também publicado aqui, onde foram abordados alguns aspectos gerais dessa forma cada vez mais frequente de se substituir o chiller no ar-condicionado central.

Unidade externa: engenharia de precisão e robustez

A unidade externa ou módulo condensador ou simplesmente condensador, comporta não apenas o(s) compressor(es), mas também diversos sensores, trocadores de calor, válvulas de redirecionamento, solenoides, placas de circuito impresso, incluindo a “placa mãe”, filtros de ruído, e placas inverter de controle dos motores de ventiladores.

Assim, podemos destacar como componentes principais da unidade externa:

  • Compressores scroll ou rotativos com tecnologia inverter. Como aqui não estamos falando dos fabricantes, e há pelo menos uma dúzia, sendo que os “scroll” são mais comumente usados.
  • Condensador com serpentina de cobre e aletas de alumínio. Aqui também existem algumas variações a depender do fabricante de VRF.
  • Ventiladores DC com motores controlados por placas inverter, o que garante variação na rotação e o sincronismos com compressores e válvulas de expansão.
  • Módulo de controle eletrônico centralizado e inteligente. Falamos aqui da placa mãe com todos os seus componentes de segurança e controle. Por exemplo: é na placa mãe ou principal, que fica o “verificador de tensão/fase”. Uma vez alimentada a máquina com tensão trifásica, caso esta energia não esteja faseada (R,S,T ou L1,L2,L3)
  • Sensores de pressão, termistores ou sensores de temperatura e ainda sensores de corrente. Aliás, esse conjunto de sensores e termistores é outra parte importante do esquema de funcionamento dos VRV/VRF. Eles coletam as informações e alimentam a placa principal, que, de acordo com sua lógica programada, compara esses sinais com os valores “target” e então toma uma decisão: Aumentar ou diminuir o fluxo de refrigerante naquele determinado momento.
  • Por que é errado fazer carga de fluido refrigerante por pressão?
  • Como ficam os chillers, em meio à nova realidade dos fluidos refrigerantes?
  • 10 mitos sobre o ar-condicionado que você precisa esquecer

Unidade interna: versatilidade total

Uma das grandes vantagens dos sistemas VRV/VRF está na capacidade de conectar diversas unidades internas. De fato, os fabricantes inovam cada vez mais ao ponto de, hoje, encontrarmos evaporadoras de piso, redondo, UTA, e muitos outros. Portanto, versatilidade e flexibilidade não faltam a esses sistemas.

Hoje as unidades internas:

  • Permitem setpoints individuais por ambiente
  • São compatíveis com controles remotos e centrais, além, é claro, de aceitar automação.
  • Integram sensores de temperatura ambiente.
  • Podem operar em rede com protocolos Modbus, BACnet e LonWorks. Aqui uma dica: Instaladores, sempre coloquem “no jogo” uma empresa especializada para fazer essa interface.
  • Conectam-se por tubos de cobre com distâncias superiores a 100 metros. Da mesma forma em relação ao cabo de comunicação, que continua operacional em grandes distâncias. Esta é uma característica não somente da unidade interna, mas sim, do sistema com um todo. Todavia, consulte o manual de engenharia do produto sempre!

Agora, falando em comunicação, os sistemas VRF/VRV utilizam uma linha de comunicação em barramento para integrar todas as unidades. Apenas como exemplo, a Daikin chama o cabo de sinal de “DIII-Net”. E, pasmem, eu já vi instalações com quilômetros de cabo e funcionando muito bem, por anos!

Quando decidi escrever sobre conteúdo técnico eu também pensei em escrever sobre bom senso, é isso que menos vejo por aí!!!

Dentre as características principais do cabo de sinal, destacamos:

  • Transmissão de dados em tempo real entre todas as unidades.
  • Monitoramento remoto do desempenho.
  • Diagnóstico de falhas e manutenção preditiva (coletando as informações à distância e orientando manutentores).
  • Integração com sistemas de automação predial (BMS). Inclusive as marcas podem ser diversas. Como eu disse agorinha, uma empresa especialista deverá fazer a interface.
  • Na maioria dos fabricantes, este cabo é blindado, 2 pólos, com seção que vai de 0,75 a 1,5 mm2.
  • Não há polaridade (alguns fabricantes apenas)

Recuperação de calor: eficiência elevada em sistemas avançados

Os sistemas VRV/VRF mais avançados oferecem a função heat recovery, que permite a unidades em diferentes ambientes ter o calor rejeitado por uma unidade em modo de refrigeração aproveitado por outra em modo de aquecimento.

Foto: Shutterstock

Manutenção: o conhecimento técnico faz toda a diferença

A manutenção de sistemas VRF/VRV exige conhecimento técnico especializado. Mas, não é complicado!! Ademais, o mais importante é ter conhecimento do produto, conteúdo técnico, e ser credenciado da marca. Isso sim faz diferença.

Claro, esses sistemas precisam ser acompanhados por PMOC como qualquer outro tipo de instalação. Digo isso porque muitos esquecem disso!

Pontos críticos de atenção na manutenção

  • Compressores: Se a instalação foi bem-feita, obedeceu aos critérios dos fabricantes, não tem porque ter problema.
  • Superaquecimento e subresfriamento: Da mesma forma, se o adicional de fluido refrigerante foi feito, bem-feito, nada a fazer em relação a isso.
  • Inspeção da integridade da linha de comunicação: Neste caso, se começou a falhar depois, de, digamos 10 anos, pode ser necessário verificar se os cabos continuam transmitindo os sinais de forma integral.
  • Pressão de trabalho e corrente de operação de compressores: CUIDADO: Não se esqueça que os compressores aceleram e desaceleram o tempo todo, assim, usar um Manifold por exemplo, pode te induzir a erros.
  • Portanto, colocar ou tirar fluido refrigerante com base na pressão de trabalho medida muitas vezes não dá certo. Mesma coisa em relação a corrente dos compressores, cada segundo ou minuto é um valor diferente.
  • Atualização de firmwares das placas eletrônicas (é raro ser necessário, mas se acontecer, somente o fabricante resolve)

Conclusão

Por fim, vale sempre relembrar: conteúdo técnico é obrigatório para quem trabalha com climatização de médio e grande porte… Mesmo porque, trata-se de um produto em franco crescimento no mundo!

*João Agnaldo Ferreira é engenheiro mecânico com ampla experiência em projetos, treinamentos e consultoria técnica.

Tags: Ar CondicionadoArtigoAVAC-RClimatizaçãoCompressorCondensadorHVAC-RManutençãoRefrigeraçãoRefrigeristaSensorSistemas AVACTemperaturaVálvulaVRFVRV
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