
Estudo da Fundação Oswaldo Cruz mostra que o número de incidentes relacionados a vazamentos de amônia no Brasil dobrou entre 2018 e 2023, ao atingir a marca de 10 ocorrências anuais. Pode parecer pouco, em termos absolutos, mas as consequências disso são consideráveis.
Quando não causa vítimas de intoxicação, a substância ataca o bolso das empresas. Apenas nas redes de supermercados, onde a média de vazamentos chega a 30%, segundo a ASHRAE, a não detecção do problema pode gerar milhões de reais em perdas a cada ano.
A situação nos frigoríficos é igualmente grave, com a média de um vazamento a cada 17 dias envolvendo a substância, cuja molécula NH3, na química, assume a denominação genérica R-717, como fluido refrigerante.
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Por setor produtivo, Alimentos & Bebidas registra 31% dos vazamentos ocorridos no país, à frente da área de Química/Manufatura (29%) e dos Centros de Distribuição/Atacadistas (12%).
Em todos esses usuários, os prejuízos podem se acumular lentamente, como os próprios vazamentos de amônia, envolvendo reposição de gás, desperdício energético, danos a produtos refrigerados e custos gerais de manutenção.
Largamente utilizada na refrigeração comercial e industrial, pela sua eficiência energética e baixo impacto ambiental, a amônia cresceu muito no Brasil após o banimento dos CFCs. Mas trouxe, em contrapartida, a necessidade de segurança redobrada.

É que, mesmo em menores concentrações, ela pode afetar a saúde humana, algo que a Norma Regulamentadora – NR 15 traduz em 20 ppm (partes por milhão) como limite de exposição, podendo ser fatal quando supera uma presença de 300 ppm no ar respirado.
Tecnologia
Embora o Brasil já possua marcos legais ressaltando a responsabilidade das empresas no controle e na destinação adequada de fluidos refrigerantes, incluindo a Política Nacional do Meio Ambiente (Lei nº 6.938/1981) e a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), o aumento nos vazamentos de amônia mostra que algo não vai bem.
“Essas leis estabelecem que vazamentos envolvendo substâncias tóxicas ou prejudiciais ao meio ambiente podem resultar em penalidades severas, incluindo multas e responsabilização criminal”, afirma Mauricio Alvares, Diretor de Desenvolvimento de Negócios & Serviços e Soluções da MSA Brasil.
Mas em eventos tratando do tema, quase sempre vêm à tona aspectos como manutenção preventiva deficiente, falta de sensores e planos de evacuação inexistentes ou malfeitos, dentre as principais causas de acidentes do gênero.
É nessas horas que se coloca à mesa a necessidade de aproveitar o que a tecnologia já oferece neste campo.
A própria MSA Safety orgulha-se de suas soluções integradas de detecção e gestão de gases da linha Bacharach, composta por detectores de alta precisão e o software Parasense, que permite monitoramento contínuo, respostas automáticas em emergências e conectividade IoT via Gateways FieldServer.
“Nossa ideia é, justamente, apoiar as empresas no cumprimento dessas exigências, oferecendo soluções de monitoramento e detecção que elevem os padrões de segurança e sustentabilidade nas operações industriais”, acrescenta Alvares.
Segundo ele, sua empresa atua em outros países desde 1914, e agora está ampliando a atuação no Brasil, “trazendo tecnologias avançadas para instaladores, operadores de HVAC-R e usuários finais, fortalecendo a digitalização, a eficiência energética e a segurança em toda a cadeia de refrigeração industrial”, conclui o executivo.










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