
Após quase um mês do início da guerra na Ucrânia, a economia russa segue sendo sufocada por sanções governamentais, quebras de cadeias de suprimentos e debandada de multinacionais.
A lista de companhias que de alguma forma suspenderam operações na Rússia inclui gigantes como Shell, Apple, Heineken, Ferrari, Coca Cola e Google, assim como grandes players do mercado de refrigeração e ar condicionado, entre os quais Johnson Controls, Daikin, Panasonic, Chemours e Mitsubishi Electric.
A iniciativa é, de certo modo, uma resposta privada clara contra uma crise humanitária que já provocou a fuga de dez milhões de cidadãos ucranianos de suas casas, deixando mais de um quarto da população deslocada internamente ou refugiada no exterior, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).
De maneira geral, as sanções corporativas contra a Rússia são um tipo de “decisão que nos leva à reflexão sobre o peso da reputação e o lucro nas ações organizacionais”, conforme avalia a empresária Glaucia Vieira, da G2 Tecnologia, consultoria especializada no sistema de gestão integrada SAP Business One.
Cada vez mais, pressões internas, de consumidores e investidores, assim como riscos de punições e outros fatores, forçam as empresas a terem esse tipo de postura.
Diante desse cenário, temos visto “organizações concorrentes engajadas em um mesmo propósito como estratégia de perpetuação: os investimentos em ações ambientais, sociais e de governança, representados pela sigla ESG”.
“O termo vem sendo amplamente utilizado no mercado financeiro para designar o enquadramento e performance das empresas nestas três categorias. As organizações que implementam em sua gestão tais iniciativas […] são avaliadas e monitoradas pelos seus colaboradores, consumidores e parceiros por tais ações”, explica.
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Para a empreendedora, “a movimentação das grandes marcas deixando a Rússia, mesmo resultando em uma perda significativa em seu faturamento, é um exemplo marcante das novas perspectivas de gerenciamento das organizações, levando à risca os seus valores e missão. O que, para muitos, é deixado de lado, se torna ainda mais uma ação para enfatizar e divulgar o propósito da empresa”, acrescenta.
Além da interrupção de tansações comerciais, as empresas têm doado recursos a entidades como a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) e a Cruz Vermelha, entre outras organizações sem fins lucrativos.
“Nossas decisões e ações refletem nossos valores firmes e nosso compromisso de fazer o que é certo. Estamos inspirados pelo incrível apoio que nossos funcionários, clientes, parceiros e comunidades estão mostrando ao povo ucraniano e seus direitos”, diz uma nota publicada no site Johnson Controls, fabricante americano de equipamentos de climatização, combate a incêndio e segurança para edifícios.
Ao comentar a decisão recém-anunciada pela Chemours de se afastar da Rússia, o presidente e CEO do fabricante dos fluidos refrigerantes Freon e Opteon, Mark Newman, declarou que a indústria química americana “condena a violência sem sentido que está ocorrendo e vê a continuidade dos negócios como inconsistente com nossos valores”.
O fabricante alemão de equipamentos de refrigeração e aquecimento Viessmann fez um alerta contundente contra a invasão da Ucrânia, classificando a guerra decretada por Vladimir Putin contra o país vizinho “como um ataque contra nosso mundo e valores humanos – um mundo em que preferimos viver, baseado em valores que melhoram o bem-estar das pessoas, como pensamento livre, discurso e tomada de decisão democrática“.
Uma das últimas companhias do setor a anunciar a supensão de negócios com a Russia, o fabricante japonês de bombas de calor e condicionadores de ar Daikin informou que sua subsidiária europeia “tem mais de mil funcionários ucranianos trabalhando em nossas duas fábricas na República Tcheca e muito mais em todo o nosso grupo“.
“Estamos com o coração partido pela situação difícil em seu país de origem e esperamos que um mundo pacífico e seguro retorne o mais rápido possível. A Daikin continuará monitorando a situação de perto e garantindo segurança de nossos colaboradores, além de cooperar com os esforços de ajuda humanitária”, assegurou.
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