
A COP30 também tem sido um momento importante para se destacar a importância da Qualidade do Ar Interno (QAI), em meio às demais ações em curso no mundo para reequilibrar o ambiente.
Por meio do Plano Nacional de Qualidade do Ar Interno (QAI), organização que estuda, promove e dissemina o assunto no País, foi ampliado o alcance institucional da entidade e o conhecimento geral sobre o tema.
“Tivemos a oportunidade de conversar com educadores, médicos, ambientalistas, dentre outros representantes da sociedade civil, que sentem diariamente os impactos climáticos em suas atividades”, afirma a coordenadora de Comunicação do PNQAI, Inez Luz.

Segundo ela, toda essa movimentação deu origem à assinatura de um Termo de Adesão com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (CREA-AM); e um Termo de Compromisso com a ABNT, envolvendo o projeto “Elas por Elas”.
Outros importantes contatos foram feitos, incluindo o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB); CREA PA; Instituto Evandro Chagas (IEC); Médicos do Clima; Instituto Alana; Instituto do Ar e os Conselhos de Arquitetura e Urbanismo (CAU) de São Paulo, Ceará, Alagoas e Rio de Janeiro.
Painel
Ontem (21/11), o auditório montado no estande do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) recebeu uma palestra sobre QAI, realizada por João Manuel Aureliano, dentro do painel “Cidades Resilientes e o Ar que Respiramos”.
Com o objetivo de mostrar a Contribuição do Plano Nacional de Qualidade do Ar Interno para a Arquitetura e a Agenda Climática da Cop 30, o engenheiro começou sua fala conceituando QAI e reconhecendo a dificuldade que muitas vezes tem-se para entendê-la, já que o ar é invisível.
Membro da ASBRAV e da ASHRAE Chapter Brazil, João Manuel lembrou também que, nos próximos 35 anos, seremos cerca de 2 bilhões a mais de pessoas no planeta, um adensamento que levará à construção de 230 bilhões de metros quadrados.
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Para dar uma ideia do tamanho dessa expansão, o palestrante frisou que ela vai representar uma cidade de Nova Iorque por mês surgindo espalhada pelo mundo, e a cargo do setor da construção, um dos que mais consomem energia e poluem.
A gravidade disso aumenta quando se tem em mente o relatório do IPCC de 2015, que estabeleceu um teto para a elevação da temperatura da Terra. “Esse limite era de 1,5 graus, e já chegamos a 1,33 graus. Ao que tudo indica, até 2030 teremos um aumento de até 2 graus”, alertou.
“Quanto maior a elevação da temperatura da Terra, menor é a capacidade de captação do CO2 presente no meio ambiente. Então, essa é uma preocupação adicional necessária quando se tem em mente mitigar todos esses problemas de elevação da temperatura”, acrescentou.
O papel da QAI
Em seguida, João Manuel falou sobre a caminhada do homem em meio às questões relacionadas à QAI, desde a Antiguidade até a pandemia de COVID19 e a relação entre isso tudo e o quadro atual da humanidade no aspecto ambiental.
O engenheiro mostrou ainda uma imagem de São Paulo em um dia de muita poluição e surpreendeu a todos, ao dizer que o ar interno pode ser até pior.

“Nosso sistema respiratório tem a capacidade de filtrar esse tipo de particulado presente no ar externo, mas internamente é frequente haver partículas até 26 vezes mais finas que um fio de cabelo”, explicou.
Essas partículas diminutas conseguem chegar aos pulmões, a exemplo de vírus e bactérias, que apesar dos avanços da medicina, ainda são difíceis de eliminar.
O ar-condicionado, por sua vez, pode ser importante fator de prevenção, quando dotado de filtros adequados e bem mantido, o mesmo ocorrendo nos campos da arquitetura e engenharia.
Este aspecto, aliás, ele ilustrou com um registro histórico do Padre Anchieta, ao descrever as grandes janelas que tornavam mais saudável um hospital que visitara à época da fundação de São Paulo.
“Sem ventilação adequada você não consegue promover a movimentação do ar. Nem trazer o ar de fora para o ar de dentro, para diluir esses contaminantes”, concluiu João Manuel, sobre um dos muitos tópicos da IAQ abordados frente a uma atenta plateia, predominantemente formada por arquitetos e engenheiros.










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