
Durante muito tempo, falar em instalação ou manutenção de sistemas de ar-condicionado significava imaginar um ambiente de trabalho quase exclusivamente masculino. Oficinas, canteiros de obra e centros de assistência técnica eram ocupados majoritariamente por homens.
Nos últimos anos, entretanto, esse retrato começa a ganhar novas cores. O HVAC-R vem registrando um aumento gradual da presença feminina, tanto em atividades técnicas quanto em funções estratégicas. Essa transformação é vista inclusive na Internet, com o trabalho cada vez mais comum de profissionais influenciadoras.
A mudança ainda é discreta, mas já chama a atenção de empresas do setor, que passaram a investir em iniciativas voltadas à formação de mulheres interessadas em atuar no mercado. O objetivo é ampliar o acesso à capacitação técnica e, ao mesmo tempo, ajudar a reduzir barreiras históricas que afastaram muitas profissionais desse campo de trabalho.
Entre as empresas que apostam nessa transformação está a Fujitsu General do Brasil. Desde 2019, a companhia promove treinamentos técnicos exclusivos para mulheres, uma iniciativa que nasceu de um pedido das próprias participantes dos cursos regulares. Muitas delas relatavam que um ambiente dedicado ao público feminino poderia facilitar a troca de experiências e o aprofundamento do aprendizado.
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A proposta tem produzido resultados relevantes. Nos cursos, as participantes têm acesso a conteúdos que fazem parte da rotina dos profissionais de climatização: instalação de equipamentos, manutenção preventiva, especificação de sistemas e análise de eficiência energética. Ao mesmo tempo, o espaço permite que dúvidas sejam discutidas de forma mais aberta, estimulando a confiança das alunas.
Mesmo fora das turmas exclusivas, a presença feminina vem crescendo nos treinamentos da marca. Atualmente, cerca de 10% dos participantes dos cursos técnicos da Fujitsu são mulheres. Pode parecer um percentual modesto, mas dentro de um setor historicamente masculino ele indica uma tendência clara de mudança.
Diversidade de perfis
Outro aspecto que chama atenção é a diversidade de perfis entre as participantes. Há mulheres que atuam diretamente em campo, executando serviços técnicos de instalação e manutenção. Outras trabalham em áreas como vendas, compras ou atendimento comercial, lidando com especificação de equipamentos e orientação a clientes. Também já aparecem profissionais que coordenam equipes ou atuam em posições de gestão.
Para especialistas do setor, a presença feminina tem contribuído para ampliar o olhar sobre a climatização, especialmente em aspectos relacionados à eficiência energética e à durabilidade dos equipamentos.
“As mulheres têm demonstrado um olhar muito atento para aspectos como qualidade, durabilidade e eficiência dos equipamentos, além de desempenharem um papel decisivo na orientação e recomendação de produtos. Essa participação contribui para elevar o padrão técnico do setor e fortalecer a relação de confiança com os clientes”, observa Leandro Silva, coordenador de assistência técnica da Fujitsu.

Na edição mais recente do treinamento exclusivo promovido pela empresa, realizada no centro técnico da marca em São Paulo, 28 mulheres participaram das atividades. Durante as aulas, foram abordados temas como cálculo de consumo energético em kWh, seleção de sistemas multi split, testes de componentes e apresentação do portfólio de equipamentos da fabricante.
Segundo a companhia, um dos resultados mais perceptíveis após os cursos é o aumento da segurança das profissionais ao lidar com aspectos técnicos dos sistemas de climatização. Além do aprendizado formal, as turmas acabam formando redes de contato entre as participantes, fortalecendo vínculos profissionais e criando oportunidades de colaboração.
A estratégia faz parte de um movimento mais amplo de qualificação técnica que a Fujitsu vem desenvolvendo no país. A empresa mantém centros de treinamento voltados à formação de instaladores e profissionais de climatização. Um dos exemplos é o espaço inaugurado recentemente no Rio de Janeiro, dentro da loja Clima Rio, dedicado à capacitação técnica do setor.
Embora a presença feminina ainda represente uma parcela pequena do mercado, o crescimento da procura por cursos e treinamentos indica que o cenário está em transformação. Para um setor que enfrenta, em muitos momentos, escassez de mão de obra qualificada, ampliar o acesso das mulheres à formação técnica pode representar uma estratégia importante para fortalecer o mercado brasileiro do frio.









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