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Fluidos Refrigerantes

Entidades setoriais apoiam redução dos HFCs

Representantes da indústria de refrigeração e ar condicionado manifestam confiança no acordo aprovado em Kigali para eliminar esses gases de efeito estufa

Por Repórter do Frio
27 de outubro de 2016
- Tempo de Leitura:3 minutos

A eliminação gradual dos hidrofluorcarbonos (HFCs) acertada este mês em Kigali, capital de Ruanda, foi bem recebida pela indústria mundial. Pelo acordo, os países desenvolvidos vão limitar produção e reduzir em 10% o uso de HFCs antes do final de 2019, em relação aos níveis de 2011-2013, e 85% antes de 2036.

Na avaliação do presidente e CEO do influente Instituto de Refrigeração, Aquecimento e Ar Condicionado dos EUA (AHRI, em inglês), Stephen Yurek, as datas de congelamento e os níveis de cortes na produção e consumo dessas substâncias prejudiciais ao clima do planeta estabelecidos na emenda ao Protocolo de Montreal são ambiciosos.

“Nossa indústria vai cumprir os prazos determinados e continuará a fornecer produtos de qualidade, inovadores e energicamente eficientes para o benefício dos cidadãos do mundo”, garantiu o executivo.

“Estamos trabalhando duro nas pesquisas acerca de alternativas aos HFCs que serão usadas pelo setor. Também são muito importantes as iniciativas de educação e formação que terão de ocorrer para garantir a segurança das instalações e a eficiência dos equipamentos contendo esses novos refrigerantes”, acrescentou.

Por serem inofensivos à camada de ozônio, os HFCs são usados, atualmente, em diversos tipos de produtos e equipamentos, principalmente como substitutos dos clorofluorocarbonos (CFCs) e hidroclorofluorocarbonos (HCFCs) em chillers, bombas de calor, condicionadores de ar, refrigeradores domésticos, câmaras de congelados, sistemas veiculares, instalações de refrigeração comercial e industrial, espumas e aerossóis.

Embora eles sejam fluidos refrigerantes eficientes, não inflamáveis e de baixa toxicidade, seu alto potencial de aquecimento global (GWP, na sigla em inglês) motivou a celebração do Acordo de Kigali. “Esse era um avanço há muito tempo esperado”, disse Andrea Voigt, da Parceria Europeia para a Energia e o Ambiente (EPEE).

“Agora, temos de fazer com que esse pacto seja implementado e garantir que a eficiência energética seja levada em consideração nesse processo. Isso porque essa transição tecnológica para os gases de baixo GWP precisa estar de mãos dadas com a alta eficiência energética, se quisermos levar a sério a redução das emissões globais de dióxido de carbono (CO2)”, ressaltou.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial, os níveis de CO2 na atmosfera superaram, no ano passado, a marca de 400 partes por milhão (ppm), inaugurando uma nova era na realidade climática. Além disso, de acordo com a entidade, sua concentração permanecerá acima de 400 ppm durante 2016 e não cairá abaixo desse patamar por “muitas gerações”.

Carbon Dioxide
Concentração de dióxido de carbono na atmosfera permanecerá acima de 400 ppm durante 2016 e não cairá abaixo desse patamar por “muitas gerações”, informa a Organização Meteorológica Mundial

Cenário nacional

Segundo a emenda ao Protocolo de Montreal aprovada recentemente, os países em desenvolvimento, incluindo a China – o maior produtor e consumidor desses gases – deverão congelar o consumo de HFCs em 2024 e começar a fazer cortes em 2029.

De acordo com a Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), os hidroclorofluorcarbonos (HCFCs) e HFCs, que representam mais de 95% do mercado nacional, serão substituídos por outros fluidos frigoríficos mais ambientalmente corretos, como hidrocarbonetos, CO2, amônia e hidrofluorolefinas (HFOs).

Antes da reunião de Kigali, a entidade ratificou a sua concordância com a proposta realizada na reunião do Grupo de Trabalho Ozônio, e acatou o congelamento das importações em 2025, tomando como referência a média dos anos de 2021 a 2023. Durante o encontro, porém, ficou definido que a linha base será de 2020 a 2022.

“O Brasil está seguindo os caminhos do Protocolo de Montreal, cumprindo as metas estabelecidas desde o início com os CFCs e HCFCs, e não vai ser diferente agora”, salientou o presidente da Abrava, Arnaldo Basile, em comunicado distribuído à imprensa.

Na visão da associação, os prazos estabelecidos para o controle dos HFCs proporcionam tempo hábil para orientar o setor e usuários finais sobre as novas tecnologias que já vêm sendo implantadas no País.

“É importante ressaltar que, no Brasil, os HFCs são responsáveis por menos de 0,5% do efeito estufa, e que eventos como queimadas e emissões de CO2 por veículos têm peso mais considerável [no inventário nacional de gases de efeito estufa]”, disse.

De acordo com Basile, a Abrava realiza, sistematicamente, eventos técnicos para profissionais do setor, com o objetivo de orientar o mercado sobre a importância das boas práticas de manutenção, instalação e operação de sistemas e equipamentos de climatização e refrigeração, assim como o manuseio, armazenagem, recolhimento, reciclagem, regeneração, reutilização e transporte adequado de fluidos refrigerantes.


 

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