
Em franco crescimento na Europa, a alternativa de substituir a climatização individual de casas e comércios por distritos térmicos, de uso coletivo, já responde, por exemplo, por 25% da água gelada produzida na Suécia, em nome de um ar condicionado mais racional e sustentável.
A revelação foi feita por Kasper Koefoed, coordenador regional na América Latina do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em temas relacionados ao Protocolo de Montreal.
Durante palestra realizada no mais recente encontro promovido na capital paulista pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (MMA) e o próprio PNUD, Kasper abordou vários aspectos dos distritos térmicos, que hoje afirma ser um dos temas centrais na área.
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Os motivos para tal repercussão têm sido dois, basicamente: diminuição do consumo de energia elétrica e também da dispersão na atmosfera de substâncias passíveis de destruir a Camada de Ozônio e/ou contribuir para o agravamento do aquecimento global.
Tais características se materializam por intermédio de uma central de água gelada chegando aos usuários por meio de uma rede fechada de tubulação e estações de transferência, ligando essa CAG coletiva aos edifícios clientes.
Bem menos sujeitas a vazamentos de fluidos refrigerantes, essas instalações permitem ainda a utilização de substâncias com menor GWP e ODP até então viáveis apenas em sistemas comerciais e industriais.
Quanto à eficiência superior, ela se inicia a partir do momento em que a energia elétrica passa a ser demandada, em sua maior parte, pelo bombeamento, pois a água em temperatura menor naturalmente reduz a necessidade de resfriamento.

Já para regiões onde a captação de água marinha é inviável, existe ainda a opção da termoacumulação, que produz gelo nos períodos com menor tarifa e o mantém armazenado para utilização nas horas de pico, algo inimaginável quando se possui ar-condicionado individual.
“Caso haja uma planta de geração de energia elétrica próxima, você pode ainda usar a energia residual e um chiller de absorção para gerar, então, uma energia com baixo uso de eletricidade”, acrescenta Koefoed.
Outros ganhos
Mas, de acordo com o especialista dinamarquês radicado na Cidade do Panamá, existem outros ganhos a se comemorar com a adoção dos distritos térmicos.
Sem a necessidade de possuir um chiller no prédio, por exemplo, aumenta de forma expressiva a área útil dessas edificações, que ficam igualmente livres do ruído típico desse tipo de equipamento.
Ao mesmo tempo, a eficiência de um edifício dotado de tal solução pode aumentar de 1,5 a 2,0 vezes, dependendo da maneira como as etapas de captação e distribuição da água são estruturadas.
Porém, no entender de Kasper, deve ser muito bem analisada e planejada a decisão de partir para um distrito térmico, pois trata-se de uma opção de alto custo inicial.
Além disso, requer um trabalho coordenado com variados agentes da administração pública, responsáveis pelos sistemas viários, abastecimento de água, energia, assim como a existência de espaços urbanos disponíveis e adequados.
É fato, no entanto, que a decidida caminhada da Suécia rumo a esta solução tem sido seguida, em menor proporção, por países como Índia e China, sem falar que, aos poucos, América Latina e Caribe já deram seus primeiros passos na mesma direção.
Na sequência, Cristina Mariaca Orozco, que coordenou a Estratégia Nacional de Energia Distrital da Colômbia nos últimos nove anos e atualmente dirige o Programa Global de Energia Distrital da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial, falou sobre a experiência bem-sucedida do seu país neste campo.
Já a partir do distrito térmico pioneiro – em La Alpujara, Medellín – ela afirma ter sido decisivo o envolvimento e a perfeita sintonia entre todas as áreas da vida urbana participantes do projeto, algo que ela agora espera se repita em países da Ásia e África, igualmente com o apoio da Unido.










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