
Frente à emergência climática e os esforços atuais para adequar o Brasil à Emenda de Kigali, o Ministério do Meio Ambiente (MMA), em conjunto com as agências internacionais implementadoras do Programa Brasileiro de Eliminação do Consumo dos HCFCs (PBH), anunciaram que a preparação da estratégia para a redução do consumo dos HFCs segue em ritmo avançado.
Quem esteve semana passada no evento “Projetos para o Setor AVAC-R, Promovendo Ações em Benefício da Camada de Ozônio e do Clima” assistiu em São Paulo a dois dias de apresentações dedicadas a soluções já disponíveis, ou então prestes a aportar no mercado brasileiro, como pedem esses tempos de mudanças climáticas em ritmo igualmente acelerado.
“Essas soluções são viáveis tecnológica e economicamente, possuem eficiência, do ponto de vista energético, e estão perfeitamente ao alcance de todo o mercado brasileiro”, disse ao Blog do Frio o Analista Ambiental do MMA, Frank Amorim, após o primeiro dia do encontro, que reuniu entidades parceiras e teve, inclusive, palestrantes internacionais.
Porém, apesar das conquistas já obtidas por toda essa movimentação, ainda resta um longo percurso a ser percorrido, conforme fez questão de frisar, na abertura do evento, Ana Paula Leal, gerente de Projetos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
“O evento realizado hoje é um marco nas ações de implementação da terceira e última etapa do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs. E aí a gente pensa: nossa, que bom, estamos chegando ao fim. Na verdade, estamos chegando ao fim do começo, pois temos ainda pela frente a implementação da Emenda de Kigali no país”, ressaltou.

Novo enfoque
Com essa aceleração de ritmo e agora avançando simultaneamente ao Programa Brasileiro de Redução do Consumo dos HFCs, o PBH está incentivando os setores de refrigeração e ar condicionado a fazer a migração direta para fluidos refrigerantes de menor Potencial de Aquecimento Global (GWP, na sigla em inglês).
Os alvos prioritários deste novo momento são as Centrais de Água Gelada (CAG), para as quais já há tecnologia de baixo GWP e fluidos como os HFOs, o R290 e a amônia, para aplicação em hospitais, hotéis, indústrias e shopping centers, por exemplo.
Projetos Demonstrativos
Um dos aceleradores desse processo é o compromisso assumido pelo “Programa de Assistência Técnica ao Setor de Ar-condicionado” de custear 50% dos investimentos para a aquisição de equipamentos, em substituição aos antigos, utilizando o R-22 ou o R-123 como fluido refrigerante, desde que o novo sistema utilize fluido refrigerante com GWP abaixo de 300, conforme estabelecido pelo Protocolo de Montreal.
Está previsto ainda que as empresas beneficiárias dessa nova etapa dos projetos demonstrativos deverão arcar com os 50% restantes desses custos, assim como adequar o local e destinar corretamente, tanto o chiller quanto o fluido antes empregado.
Os proprietários deverão ainda colaborar com a divulgação dos resultados obtidos, como forma de motivar o mercado a participar de ações semelhantes.
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Como participar?
O processo de seleção terá início agora em julho, com a publicação na internet do formulário on-line destinado à “Manifestação de Interesse”, a ser enviado ao PNUD, agência implementadora desta ação, que entrará em contato para obter informações adicionais, antes de definir os escolhidos.
Não haverá limite de inscrições, mas sim a meta de preencher 12 vagas para a realização dessa nova série de projetos demonstrativos, a ser realizada da forma já descrita.

Treinamento com splits
Já no âmbito da Etapa 3 do PBH, os próximos movimentos incluem a capacitação de técnicos para instalação e manutenção de aparelhos de ar-condicionado split com R290, “pois quem lidar com o propano não terá dificuldade em trabalhar com o R32”, exemplifica Amorim.
Segundo ele, 5 mil técnicos serão treinados em cinco escolas a serem selecionadas pela Agência GIZ, em diferentes pontos do país, como feito anteriormente, e os interessados em participar poderão procurá-las para se inscrever, tão logo a etapa atual se conclua.

Igualmente vai se repetir o amplo apoio oferecido aos estabelecimentos de ensino escolhidos, a partir da montagem dos laboratórios onde as aulas serão ministradas.
O mesmo se aplica ao fornecimento da metodologia, dos modelos de apostilas e apresentações, além de completo treinamento oferecido aos professores que darão o curso, tudo isso objetivando garantir o máximo padrão de qualidade possível.
HFCs
Enquanto isso, o agora Programa Brasileiro de Redução do Consumo dos HFCs, nascido na esteira do KIP – Plano de Implementação da Emenda de Kigali, já se encontra, segundo Frank, com o seu diagnóstico pronto, devendo em breve ser divulgado.
“Neste momento, estamos preparando a estratégia brasileira e os respectivos projetos de investimento”, prossegue ele, lembrando que o objetivo em mira é cumprir pelo menos 10% de redução no consumo dos HFCs no Brasil até 2029.
Frank lembra também que essas ações farão parte do Plano Clima Mitigação no setor industrial, cuja meta é reduzir o consumo dos HFCs em 30% até 2035.
“Com isso, acreditamos estar dando uma contribuição expressiva para as metas de emissões previstas pela NDC” (Nationally Determined Contribution, ou Contribuição Nacionalmente Determinada, em português), conclui o Analista Ambiental do MMA.
Para mais informações acesse aqui.










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