
Levemente inflamável – categoria A2L, segundo a classificação de segurança da Ashrae – e de baixa toxicidade, o fluido refrigerante R-32 torna-se mais seguro ainda quando se aplicam boas práticas ao trabalhar com ele.
Contam igualmente a seu favor não degradar a Camada de Ozônio (ODP zero) e o Potencial de Aquecimento Global (PAG) de 675, contra 2.088 do R-410A, também um hidrofluorcarbono (HFC), previamente utilizado em equipamentos de ar-condicionado split.
Economicamente, pode requerer um volume menor de carga nos splits e demais equipamentos onde é aplicado e apresenta eficiência energética superior, dependendo do perfil geral da instalação, quando comparado ao R-410A.
Boas Práticas
Quanto à segurança, vale compreender melhor o significado da classificação A2L recebida pelo R-32, onde o ‘A’ representa baixa toxicidade e ‘2L’, um índice leve de inflamabilidade.
- Saiba o que é e como funciona o VRF à água
- Por que é errado fazer carga de fluido refrigerante por pressão?
- Febrava 2025, o marco de um novo AVAC-R
Mesmo assim, se atentar às boas práticas faz muita diferença, pois embora tenha uma baixa velocidade de propagação de chama, minimizar qualquer risco sempre é recomendável.
Basicamente, há três momentos principais para o refrigerista observar tais cuidados: antes, durante e após uma atividade de manutenção ou instalação.
Antes
Todo profissional, ao trabalhar com fluido refrigerante, seja ele qual for, precisa estar treinado, pois é fundamental conhecer as propriedades da substância e do equipamento onde ela será aplicada.
Usar ferramentas compatíveis e classificadas, o que inclui manômetro, recolhedora, bomba de vácuo, detector de vazamento e cilindros de recolhimento.
Manter o correto armazenamento dos cilindros em local fresco, seco, bem ventilado, longe de fontes de calor, faíscas ou chamas em temperaturas abaixo de 52°C.
Eles também devem estar na posição vertical e protegidos contra danos mecânicos, com as válvulas e conexões sendo verificadas antes de cada uso.

Durante
Ambientes bem ventilados são fundamentais para a realização do serviço. Quando impossível, utilizar ventilador de exaustão ou similar para evitar o acúmulo de vapores em caso de vazamento, já que o R-32 é mais denso que o ar, podendo se acumular em áreas baixas.
Eliminar fontes de ignição em presença de fluido refrigerante é outro cuidado muito bem-vindo. Chamas abertas, soldadores, maçaricos, ou ferramentas que possam produzir faíscas não devem ter contato direto com o fluido refrigerante. Além disso, carga e pressurização devem ser feitas no sistema com a energia elétrica do equipamento desligada.
Você já sabe, mas não custa lembrar: EPI sempre! Luvas, óculos de proteção, roupas e calçados adequados são Equipamentos de Proteção Individual mais do que necessários, qualquer que seja o fluido refrigerante.
Manusear os cilindros com luvas de proteção térmica, por sua vez, pode evitar sérias queimaduras a frio, no caso de contato direto com a pele.
Será que o sistema está estanque? A única forma de sair da obra com a consciência tranquila sobre isto é realizar o procedimento de pressurização com nitrogênio seco para garantir que não haverá vazamentos futuros.
Além disso, em sistemas em operação é possível usar detectores de vazamentos específicos para fluidos refrigerantes A2L como forma de verificação final.
Para evitar oxidação e a possível formação de resíduos prejudiciais ao sistema, é importante fazer a passagem de nitrogênio seco durante procedimentos de solda e brasagem.
Depois
Constatado um vazamento pequeno em alguma manutenção preventiva ou corretiva, é fundamental eliminar todas as fontes de ignição nas proximidades, ventilar bem a área e iniciar a solução do problema, sempre com a máxima segurança.
Já no caso de um grande vazamento, as providências básicas são evacuar a área, isolar o local, utilizar ventilação auxiliar para dispersar o fluido refrigerante e chamar a equipe de emergência, dependendo da gravidade constatada.
O descarte de R-32, a exemplo dos demais fluidos refrigerantes, deve seguir as normas ambientais, nunca ocorrendo em esgoto, no solo ou na atmosfera. O correto é usar cilindros de recolhimento apropriados e encaminhá-los para reciclagem, regeneração ou incineração.
Por fim, vale lembrar: o R-32 não é um fluido retrocompatível, ou seja,não deve ser usado em sistemas projetados para fluidos refrigerantes como o R-410A.
Observando esses pontos, você estará mais seguro ainda ao trabalhar com R-32 ou qualquer outro fluido refrigerante A2L, pois os diferenciais ambientais e econômicos trazidos por esses produtos encontram, no fator humano, o melhor complemento possível.

Lições de casa
Experientes profissionais do AVAC-R, no entanto, identificam a existência de questões estruturais que fogem à alçada dos pesquisadores e fabricantes de novos fluidos refrigerantes com perfil ambiental.
Para o professor Américo Martins Junior, da Thermo Cursos de São José do Rio Preto (SP), por exemplo, um aspecto importantíssimo e que pode até diminuir o efeito dos esforços da indústria em renovar seu portfólio, é a destinação dos fluidos refrigerantes antigos, que ainda estão em muitos equipamentos.
“Onde entregar essas substâncias”, questiona ele, afirmando que hoje até mesmo quem as recebe recusa-se a fazê-lo em lojas físicas, onde os profissionais costumam ir mais de uma vez por semana.
Já Carmosinda Santhos, profissional da área com anos de atuação em campo, hoje palestrante sobre boas práticas no AVAC-R e representante do Conselho Regional de Técnicos (CRT) em São Paulo, um gargalo antigo tem início no próprio momento da compra.

“Infelizmente, o acesso a ferramentas e compostos químicos, como os fluidos refrigerantes, é aberto para todo mundo em nosso país, o que banaliza a atuação profissional”, constata.
E compara: “Não é em qualquer esquina que você vai e compra bisturi e materiais para fazer uma cirurgia. Claro, só alguém habilitado pode adquiri-los”.
“Mas no Brasil, infelizmente, a atuação técnica com refrigeração e climatização ainda é tratada de forma banal, ao contrário do que ocorre em outros países”, onde só tem acesso a certos itens quem comprove estar habilitado a utilizá-los”, conclui.










Conversa sobre esse post