
Meio ambiente, economia e reforma tributária foram alguns dos destaques do “Abrava de Portas Abertas” deste ano, que expandiu seu alcance ao adotar o formato híbrido, e também em função da abrangência dos temas desta vez abordados.
Além da tradicional apresentação da entidade e seus serviços, somada ao networking entre os participantes presenciais, a transmissão via Zoom e Youtube também ofereceu bons motivos para manter a audiência cativa durante as 2 horas e meia de apresentações.
Sinais de que isso aconteceria ficaram claros já na abertura oficial, feita por Marcelo Mesquita, vice-presidente executivo da Associação, representando o presidente do Conselho Executivo, Leonardo Cozac.
Ele frisou a oportunidade ali existente para se fortalecer relacionamentos, sanar dúvidas, “acessar informações qualificadas, identificar pautas relevantes e principais players do mercado”, ou seja, exatamente o que se veria dali em diante.
Compromisso Ambiental
Ao iniciar as apresentações, o diretor de Meio Ambiente e presidente do Departamento Nacional de Meio Ambiente da Abrava, Thiago Pietrobon, fez um apanhado da COP30, quinta edição consecutiva com a presença da entidade.

Embora aspectos negativos da organização tenham repercutido na mídia mais até do que as conquistas obtidas em Belém, Pietrobon disse que o futuro se encarregará de mostrar a importância desta Conferência, a exemplo das anteriores.
No caso específico do AVAC-R, ele destacou a entrega de um documento, elaborado durante o último Conbrava, contendo os compromissos do setor para contribuir com as metas globais de redução das emissões de Dióxido de Carbono para a atmosfera.
- De empreendedor a CLT: entenda a escolha de Leo Souza
- 10 mitos sobre o ar-condicionado que você precisa esquecer
- Geladeira gela em cima e não gela embaixo. Qual é o defeito?
Mesmo que o ritmo da redução seja ambicioso, inicialmente até 2035 e rumo à NET zero em 2050, ele identifica por trás deste enorme desafio também uma oportunidade significativa.
“Nosso setor pode contribuir com até 10% da meta global, por meio da prevenção de vazamentos, recolhimento, regeneração, descarte correto, enfim, evitando que todo o estoque de fluido refrigerante de forte impacto ambiental ainda empregado pelo AVAC-R volte para a atmosfera”, frisou.
Afinal, segundo Pietrobon, 70 milhões de toneladas em carbono equivalente ainda entram anualmente no Brasil por meio de HFCs, “um volume que a economia circular precisa gerenciar para que não se transforme em emissões”, concluiu.
Crescimento Continua
O panorama econômico de 2025 e as perspectivas e oportunidades ao longo dos próximos meses foram o tema tratado por Guilherme Moreira, do Departamento de Economia e Estatística (DEE), da Abrava.
Segundo ele, apesar do clima mais ameno em relação ao ano anterior, 2025 teve as vendas de ar condicionado impulsionadas por outro tipo de aquecimento: o aumento da renda do brasileiro, a reboque do desemprego declinante, seja a atividade desenvolvida formal ou não.
E para 2026? Bem, o pano de fundo incluirá a Copa, no meio do ano; o sempre imprevisível governo Trump; eleições locais; muitos feriados e um segundo semestre com temperaturas que nos farão lembrar do quentíssimo 2024, de acordo com a meteorologia.

Moreira acentua também a provável influência da nova faixa de isenção do imposto de renda. Tudo isso em pleno ano de eleição, período onde ele desconhece haver governo que reduza gastos, em qualquer esfera da gestão pública ou lugar do mundo.
Em meio a todo esse panorama, o economista acredita que a produção de splits, por exemplo, ultrapasse as mais de 6 milhões de unidades de 2025, mantendo o segmento de instalação também em alta.
Entre os equipamentos centrais, a pesquisa do DEE aponta como destaques do ano passado os splitões (+ 27,3%), seguidos pelas Unidades de Tratamento de Ar (UTA), ou AHU na sigla em inglês (+22,8%).
Fatores Adversos
Em compensação, mesmo com a forte desvalorização do real em relação ao dólar tendo se revertido parcialmente em 2025, outros aspectos conjunturais e geopolíticos aumentaram os gastos com insumos.
A cotação global de commodities como o cobre, por exemplo, elevou em 10%, na média, os custos de produção do setor, permanecendo incertas as previsões para 2026 neste campo, devido à complexa geopolítica internacional.
Outro fator adverso histórico da atividade produtiva no Brasil foi o assunto da terceira e última palestra do “ABRAVA de Portas Abertas”, a cargo dos advogados Victor Sarfatis Metta e Thiago Rodrigues, do Departamento Jurídico (DEJUR).

Após Rodrigues detalhar os serviços prestados pelo DEJUR e apontar alguns exemplos práticos dessa atuação, seu sócio Victor Sarfatis Metta destacou o grande número de novidades recentes envolvendo a apuração e o recolhimento de impostos.
Do final de 2025 para cá, ele citou o forte impacto sobre o AVAC-R da chamada Reforma Tributária e demais setores da economia, sobretudo, as empresas prestadoras de serviços e uma verdadeira enxurrada de Instruções Normativas.
A carga tributária das empresas de Lucro Presumido, isto é, aquelas taxadas pelo lucro que o fisco pressupõe para as diferentes modalidades de negócio, por exemplo, ele afirma ter aumentado em nada menos que 10%.
Já as holdings, tradicionalmente usadas para afastar o patrimônio familiar do negócio, praticamente se inviabilizaram, em virtude de uma Lei Federal publicada semanas atrás.
Quanto à Reforma Tributária, Victor disse que ela vai, simplesmente, dobrar os impostos e contribuições. “Escritório de advocacia, por exemplo, tinha uma carga tributária de 15% e nos próximos anos chegará aos 50%, de acordo com as novas regras”, exemplificou.

Tudo isso, de acordo com o advogado, cada vez mais vem condicionando a competitividade das empresas à agilidade com que elas se adaptam a mudanças “Se não observarem isso, a concorrência, com certeza, vai observar”, acrescentou.
Na prática, segundo ele, a Reforma Tributária adiciona três impostos no lugar de cinco que já existiam. Em outras palavras, quem não pagava IPI vai passar a pagar; quem não pagava ISS, idem.
“Agora, toda aquela encrenca tributária que existia é compartilhada com a sociedade, todo mundo paga, penalizando extremamente, por exemplo, empresas de tecnologia e serviços intelectuais”, acentuou.
E concluiu ressalvando: “sempre existe algum planejamento tributário ao qual se possa recorrer e é essa, justamente, uma das missões do DEJUR da Abrava”.
Assista como foi o evento na íntegra, clique aqui.










Conversa sobre esse post