
Na esteira do crescimento dos data centers e do uso da Inteligência Artificial no Brasil, os sistemas de resfriamento por imersão (Immersion Cooling) ganharam força este ano e prometem mais para o próximo.
O principal agente dessa escalada é a Inteligência Artificial (IA), que utiliza GPUs com uma densidade de calor que o resfriamento a ar tradicional simplesmente não dissipa com eficiência.
Contudo, atualmente elas são usadas como processadores para tarefas que exigem cálculos matemáticos simultâneos massivos para atender às consultas e outras demandas do mundo inteiro para os serviços de IA.
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Mal comparando, a tradicional CPU (Unidade Central de Processamento) é um “mestre de obras”, focado em tarefas sequenciais e complexas, enquanto a GPU (Graphics Processing Unit), é um “exército de operários”, fazendo milhares de operações mais simples, porém, de forma simultânea.
Além de trazer economia e prolongar a vida útil dos servidores, a refrigeração por imersão tem na eficiência um dos seus pontos fortes, mesmo em países como o nosso, com matriz energética limpa.
Sistemas assim reduzem o gasto de energia com refrigeração em até 90%, o que melhora significativamente o PUE (Power Usage Effectiveness), tornando as operações brasileiras mais competitivas.
Tabela Comparativa: Resfriamento a Ar vs. Imersão

Competição internacional
Por falar em mercado global, Estados Unidos, Europa e Ásia – grandes polos tecnológicos mundiais – vêm liderando o boom do resfriamento por imersão, com uma taxa de crescimento anual (CAGR) beirando os 20%.
Gigantes como Microsoft, Google e Meta, por exemplo, já possuem servidores totalmente submersos em fluidos dielétricos, líquidos que não conduzem eletricidade.
Foi a forma mais eficaz encontrada pelas chamadas Big Techs para absorver nos seus data centers o calor de racks com mais de 100 KW, ou seja, o dobro do limite suportado pela refrigeração convencional.
Aqui no Brasil o papel de principal hub de data centers da América Latina vem sendo alcançado, segundo estudiosos do tema, com a chegada expressiva da IA Generativa, cenário que tende a evoluir em 2026.
Além de São Paulo, cidades como Porto Alegre (RS), Maringá (PR) e Uberlândia (MG) estão recebendo projetos de “Data Centers de IA”. No Sul, há um foco especial em como a tecnologia de imersão pode reduzir o consumo de água, um recurso igualmente crítico.
De modo geral, o País está acompanhando a tendência global, pois segmentos como agronegócio, finanças e indústria investem cada vez mais em IA e contam com a infraestrutura do resfriamento por imersão para fazer isso da forma mais racional.

Alternativas
Quando a estrutura do data center não suporta o peso dos tanques ou o investimento inicial, o mercado tem adotado soluções que, hoje em dia, ainda são a maioria.
Direct-to-Chip – Em vez de mergulhar o servidor inteiro, placas de metal com canais de líquido (cold plates) são fixadas diretamente sobre os chips, inclusive em racks convencionais, com CPU. É a alternativa mais comum para quem quer usar GPUs NVIDIA H100 sem mudar toda a arquitetura do local.
Rear Door Heat Exchangers (RDHx) – Porta especial instalada na parte traseira do rack, com radiadores de líquido. O ar quente que sai dos servidores passa por essa “geladeira” na porta e volta frio para a sala. Ideal para data centers que estão aumentando a densidade de racks mistos (IA e servidores comuns).
In-Row Cooling (Ar de Precisão) – Unidades de refrigeração instaladas lateralmente entre os racks, ao invés das paredes da sala. Este método diminui o caminho que o ar precisa percorrer, reduzindo a perda de energia. Opção recomendável para data centers de médio porte que ainda não operam exclusivamente com IA pesada.
Free Cooling (Resfriamento Natural) – Utiliza o ar externo para resfriar a água do sistema, aproveitando climas mais amenos em certos pontos do País. Trata-se de uma escolha alternativa imediata para reduzir custos sem trocar o sistema de ar por líquido.










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