
A época do ano mais movimentada na refrigeração e climatização traz uma dose extra de estresse na busca por itens de cobre, metal com preço atrelado ao dólar e que, no verão, costuma faltar nas lojas de peças.
Básico no AVAC-R, seja em trocadores de calor ou tubulações, devido à sua alta eficiência de transferência térmica e durabilidade, nem sempre o metal pode ser substituído por outro material.
Isso ocorre tanto nas fábricas de equipamentos quanto na área de reparação, sendo frequente o profissional percorrer várias revendas de peças, ao longo do dia, à procura de tubos e conexões de cobre.
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Além da pressão exercida nos preços pelo desequilíbrio sazonal entre oferta e procura, o cobre tem sua alta influenciada por fatores globais, pois é cotado em Bolsas de Metais como a LME – London Metal Exchange.
Somam-se a isto fatores específicos, como a alta demanda do setor de energia limpa (veículos elétricos, data centers, infraestrutura) e, claro, o uso do dólar como moeda referencial.
O mesmo ocorre com impactos sobre os estoques globais causados por greves em minas chilenas; os atrasos em projetos de mineração em outros países e os extremos climáticos, que também já nos atingem.

Práticas Positivas
Contudo, quem depende do cobre, seja distribuidor, varejo ou técnico refrigerista, pode tomar algumas medidas para amenizar suas dificuldades em comprar o metal nas estações mais quentes.
Utilizar o metal com a máxima eficiência é uma das práticas positivas que podem ser adotadas. Isto significa otimizar o design das serpentinas e sistemas para usar a menor quantidade de cobre possível, sem comprometer a eficiência energética.
Outra conduta interessante, segundo especialistas, é a chamada gestão estratégica de estoques. Ou seja, buscar contratos de fornecimento com previsibilidade de valores ou manter estoques equilibrados para amenizar os picos de preço.
Paulo Neulaender, por exemplo, é um dos que já identificam um quadro de escassez no mercado envolvendo as bitolas de 1/4, 3/8 e 5/8, usadas nas instalações de splits de 9, 12 e 18 mil BTU/h.
Embora suas três lojas Frigga estejam bem supridas destes itens, tal situação não é uma regra. Os aumentos, sim, não falham, pois os preços estão entre 20% e 25% maiores em relação aos do ano passado.

Diante desse cenário, Paulinho tem duas sugestões básicas para que a vida do refrigerista seja menos difícil neste final de ano e nos primeiros meses de 2026.
A primeira é que ele cultive o hábito de formar estoques de cobre aos poucos, ao longo do ano, de preferência em parceria com fornecedores regulares, para também ser fidelizado por eles quando o produto tornar-se raro.
A segunda refere-se à correta precificação dos serviços que levem cobre, pois um item com o quilo antes comprado entre R$ 80 e R$ 85, hoje oscila entre R$ 100 e R$ 110 no varejo, e não faz sentido ignorar isso nos novos orçamentos.
E o empresário conclui dizendo que nunca é demais levar uma certa quantidade extra de cobre a cada compra de outros itens. “Se você consome 10 quilos por mês, peça 20, pois não vai perder dinheiro”, recomenda Neulaender. “Atender o cliente é o que importa”, justifica.
Outros Materiais
Embora o cobre ainda seja um padrão no AVAC-R, a avaliação de outros materiais também vale a pena, dependendo da aplicação desejada.
Em trocadores de calor, por exemplo, o alumínio apresenta como vantagem o custo inferior, embora sua menor condutividade térmica requeira uma área de troca maior, ou design aprimorado para compensar tal diferença em relação ao cobre.
Porém, mais fácil de moldar, devido à sua grande maleabilidade, o alumínio possibilita a confecção de serpentinas mais compactas e leves.
Já as sua durabilidade e resistência à corrosão perdem para as do cobre, ficando sujeito à temida corrosão galvânica, caso fique em contato com ele em algum ponto do sistema.

Com este conjunto de prós e contras o alumínio registra atualmente presença considerável em trocadores de microcanais feitos 100% com este metal, devido ao seu design otimizado (muitos canais pequenos).
Por isso, conseguem maior eficiência com menos fluido refrigerante, sendo significativamente mais leves e compactos do que os tradicionais trocadores cobre/alumínio (tubo aleta).
Já na refrigeração industrial, principalmente em setores como o químico, o aço inoxidável tem sido uma opção cada vez mais frequente, pois nessas instalações resistência à corrosão é mais importante do que a condutividade térmica, ao contrário do que ocorre na área alimentícia, por exemplo.










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