
Embora o técnico refrigerista logo venha à mente quando se pensa em boas práticas no manuseio de fluidos refrigerantes, o ciclo de vida dessas substâncias merece atenção em todas as suas fases.
A advertência foi feita por Thiago Pietrobon, doutor em Biologia que dirige o Grupo Eco Suporte, de Americana (SP), e atualmente responde pela diretoria de Meio Ambiente da ABRAVA.
Ele participou, na semana passada, do VI Seminário de Refrigeração Comercial e Industrial, realizado na FIESP pela Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento.

O profissional apontou os aspectos recolhimento, reciclagem e regeneração de fluidos refrigerantes, bem como cuidados básicos – já a partir da fabricação – com os equipamentos do AVAC-R aos quais essas substâncias se destinam.
Durante sua palestra, ele deixou clara a crescente importância assumida pelo tema em várias partes do mundo.
Com base em relatório que ajudou a desenvolver, dando origem a um diagnóstico do Painel Científico de Assessoramento do Protocolo de Montreal sobre o tema, ressaltou alguns pontos básicos dessa questão.
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A contenção de vazamentos é um deles, pois começa pela legislação e prossegue nos campos do design e desenvolvimento dos equipamentos.
Paralelamente, detectores cada vez mais eficazes, vários deles já exigidos por lei na Europa e EUA, também têm ajudado.
“São muitos os desafios, mas não faltam oportunidades em toda essa trajetória”, observa Thiago, ressaltando ganhos não apenas ambientais, mas também econômicos, na atividade.
Gargalos
“Se a gente olhar para a infraestrutura de reciclagem, regeneração e destruição, ela já existe. O que falta é fazer com que esse material chegue até as centrais de regeneração ou até um incinerador”, analisa.
Isso acontece, no entender de Thiago, devido à existência de diferentes desafios, que vão da área comportamental a questões regulatórias, mas decorrem, principalmente, de uma falsa ideia de que fluido regenerado deve custar menos, o que muitas vezes desestimula a expansão deste mercado em suas várias pontas.
Além disso, nem sempre o design dos equipamentos ajuda, embora cobre-se automaticamente do refrigerista a obrigação de recolher os fluidos refrigerantes, fazer vácuo etc., até mesmo quando ninguém pensou nisso ao instalar os sistemas em lugares de difícil acesso.
“As boas práticas precisam ser observadas sempre, mas será que a gente também não consegue repensar alguma coisa para tornar a vida do técnico mais fácil?”, questiona Pietrobon.
O que ocorre, na verdade, é que antes mesmo de chegar à obra o refrigerista se depara com empecilhos. “A gente não tem tantos cilindros retornáveis disponíveis no Brasil, onde os descartáveis dificilmente são achados no comércio”, acrescenta.

Ao aspecto logístico, soma-se uma questão técnica preocupante: a existência, muitas vezes, de mais de um tipo de fluido contido em um mesmo cilindro, “o que inviabiliza o processamento do material”, diz ele.
“Em outras palavras, pedimos ao técnico que tenha um cilindro para cada tipo de fluido refrigerante. E aí surge mais um gargalo, mais um problema a ser enfrentado”, lamenta.
Também mereceu destaque na palestra de Thiago Pietrobon a falta de uniformidade na legislação envolvendo o transporte de resíduos perigosos, forma como às vezes os fluidos refrigerantes são enquadrados, gerando multas, apreensões e outros problemas.
Fatores assim acabam neutralizando parte dos pontos fortes do Brasil neste campo, caso dos nossos laboratórios habilitados a certificar a qualidade dos fluidos refrigerantes.
“Só mesmo um mercado muito maduro tem uma estrutura assim, e estamos avançando rapidamente nesse processo, de uma forma geral”, ressalva Thiago, lembrando já haver um incinerador de fluidos refrigerantes no país, outro diferencial digno de nota.










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