Brasil, quinta-feira, 24 de agosto de 2017

De Paracambi, a empreendedora que colocou a Eletrofrigor no mapa

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A partir de agosto e pelo período de um ano, a empresária fluminense Graciele Davince Pereira realiza mais um sonho na vida, ao participar da quinta turma do programa Winning Women Brasil, promovido desde 2013 pela Ernst & Young, uma das maiores consultorias do mundo.

Presidente da Eletrofrigor, especializada em peças para refrigeração, ar-condicionado e lavadora, a executiva fará parte da classe deste ano com outras dez empreendedoras, que receberão lições para alcançar seu pleno potencial de negócio, com conselhos personalizados durante um ano.

“Me inscrevi no programa em fevereiro, passei por vários processos de seleção, que incluíram longos questionários que avaliam perfil de gestão, de inovação, entre outros, até entrevistas com representantes da EY e de grandes empresárias de sucesso. Recebi a notícia da seleção com muito entusiasmo e alegria, a EY é uma empresa grande e séria, o título é um grande reconhecimento”, conta.

O empreendedorismo e a liderança de Graciele foram reconhecidos pela sua bem-sucedida trajetória no setor varejista do HVAC-R, iniciada 25 anos atrás, quando tinha apenas 16 anos e deu início a um serviço autorizado para reparar eletrodomésticos da linha branca das marcas Brastemp e Cônsul, em Paracambi, município da região metropolitana da capital fluminense.

Criada em meio aos equipamentos e às peças da oficina de eletrodomésticos do pai, a empresária já destoava das demais adolescentes de sua idade ao se sentir à vontade em um ambiente ainda hoje inóspito para mulheres e pelo desejo de empreender tão cedo em um setor historicamente masculino.

Eletrofrigor

Varejo expandiu horizontes de empresária do setor

“Eu e meu pai saíamos de Paracambi para comprar peças nas cidades maiores e, muitas vezes, não éramos bem atendidos. Tínhamos de ir a muitas lojas e não havia variedade. Eu sempre vislumbrei o varejo, onde eu poderia caprichar no atendimento ao cliente, e oferecer a todos a oportunidade de encontrar tudo num só lugar”, relata.

Empreendedorismo

Em 2010, já com a visão empreendedora ampliada pelos ensinamentos obtidos com os diplomas de contadora e administradora de empresas, viu no varejo a chance de expandir seus horizontes.

Decidida a explorar este mercado, ela assumiu a pequena loja de peças de reposição para refrigeração e eletrodomésticos da família, estabelecida desde 2006 na cidade de Niterói (RJ).

A gestão deu tão certo que, apenas um ano depois, os 40 metros quadrados da loja já não eram mais suficientes para suprir o grande fluxo de clientes e a necessidade de aumento do estoque. Aproveitou a chance e mudou-se para um imóvel três vezes maior, na mesma rua.

Fugiu do padrão: reformou o espaço com piso branco, vitrines grandes e iluminadas e climatizou o ambiente. Foi a partir dessa visão inovadora, não usual ainda hoje em pequenas e médias lojas do setor, que nasceu a Eletrofrigor.

Em somente dois meses, as vendas dobraram e, atualmente, crescem 30% ao ano, em média. Hoje, com 320 metros quadrados e 22 funcionários, a loja de Niterói vai dobrar de tamanho até o fim deste ano, revela Graciele.

O fato de ter atuado em todas as áreas da empresa – do estoque ao atendimento ao cliente, e do setor de compras e vendas até o departamento financeiro, foi fundamental para o crescimento do negócio, num momento da carreira em que tinha hora para entrar, mas não para sair.

“A ideia era criar uma loja clean e confortável, com grande variedade de produtos, marcas e modelos, para atender bem o cliente, baseada em mudar aquela minha experiência do passado. Apliquei todos os conceitos que tinha na cabeça”, relembra.

A estratégia deu tão certo que, em 2012, abriu outra loja, agora na vizinha São Gonçalo – segunda cidade mais populosa do estado do Rio de Janeiro –, com 40 metros quadrados e sete funcionários. “Isto porque não existia por lá uma loja com o perfil da Eletrofrigor, embora houvesse a previsão de grande crescimento da região, em função da instalação de uma grande refinaria da Petrobras”, afirma.

Apesar do cenário econômico ainda cheio de incertezas, Graciele é otimista e acredita que o segmento de peças de reposição terá vida longa, embora envolva altos custos. “O mercado vai persistir, apesar da crise. O momento atual é delicado, mas vislumbro um futuro promissor”, salienta.


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