Brasil, domingo, 19 de novembro de 2017

Conheça Geraldo Custódio da Silva, o 1º refrigerista cego do Brasil

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Responsável por cuidar de todos os detalhes do funcionamento dos sistemas de refrigeração, o refrigerista tem, no dia 7 de julho, a data celebrada pelo mercado em sua homenagem.

Essencial para o HVAC-R, este profissional tem sido cada vez mais valorizado e reconhecido por empresas e consumidores, elevando, ano após ano, a qualidade do atendimento ao cliente.

Em comemoração à data, o Blog do Frio tem a honra de prestar uma homenagem a um dos mais importantes refrigeristas brasileiros.

Trata-se de Geraldo Custódio da Silva, fundador da revenda Polipartes, falecido no Rio de Janeiro no último dia 7 de junho, aos 76 anos, vítima de parada cardíaca.

Cego desde os 14 anos – nunca se soube a causa da enfermidade, embora a desconfiança sempre tenha recaído sobre um raro tipo de catarata –, este mineiro de Manhumirim descobriu a profissão, por acaso, quando ganhou uma lavadora de roupas usada defeituosa.

Curioso e incansável, desmontou e remontou a máquina cinco vezes até descobrir o defeito. Foi à loja, comprou as peças e colocou o equipamento para funcionar, facilitando a vida da esposa, Teresa, então grávida do filho Eduardo, e com quem foi casado por 46 anos.

Geraldo Custódio, fundador da Polipartes, foi primeiro refrigerista cego do Brasil

Fundador da Polipartes também era apaixonado pelo radioamadorismo

Os vizinhos viram toda aquela determinação e começaram a pedir para ele consertar outros eletrodomésticos, como ferro elétrico, batedeira, aspirador de pó, mas foi quando ele se deparou com um aparelho de ar condicionado que a relação dele com esses equipamentos atingiu outro patamar.

Geraldo aprendeu os principais macetes indo às lojas e conversando com outros técnicos e balconistas. Continuou a consertar geladeiras, freezers, secadoras e todos os aparelhos que os moradores das redondezas levavam. E a partir daí não parou mais.

Refrigerista qualificado

Em 1974, Geraldo Custódio concluiu o curso de mecânico em refrigeradores e lavadoras Brastemp. Antes, porém, havia estudado eletricidade no Instituto Benjamin Constant, onde também desenvolveu a paixão pelo radioamadorismo.

Sem a visão, desenvolveu os outros sentidos para o trabalho. “Basicamente pelo olfato, quando encontrava defeitos na parte elétrica; pela audição, quando detectava defeitos da parte mecânica por causa de ruídos característicos; e pelo tato, uma incrível maneira pela qual percebia os problemas”, descreve o filho Eduardo, hoje diretor geral da Polipartes.

O sucesso foi tão grande e rápido que Geraldo se tornou técnico em linha branca, refrigeração e climatização, montou uma oficina nos fundos de casa e, numa dessas ideias geniais criou um cartão de visita adesivado e à prova d’água, que colava nos aparelhos que consertava.

Assim, se o cliente precisasse dele novamente, os contatos estariam no aparelho. Se entregasse na mão o cliente provavelmente perderia o cartão, acreditava.

Atento aos detalhes e consciente que a indústria da época ainda tinha muito por evoluir, acabou colaborando diretamente para isso, ao criar, por exemplo, a chave da porca do cesto, ferramenta mais usada no Brasil para a retirada da “porca do bloco do cesto”, peça da lavadora de roupas Brastemp de modelo antigo, comercializada até hoje no mercado.

As habilidades de Geraldo possibilitaram também a identificação de um problema crônico no chicote de fios das lavadoras. Incomodado com o volume de defeitos nessa peça, o refrigerista acabou fabricando o seu próprio chicote, com fio mais grosso, capaz de suportar a fadiga provocada pelo movimento da máquina.

“Meu pai mostrou a uma loja no Rio e o dono encomendou algumas peças. Começava aí uma escala do produto. Essa história terminou com uma fábrica produzindo milhares de peças por mês, com entregas em todo o Brasil”, conta Eduardo.

Segundo ele, depois de muitos anos trabalhando na fábrica de chicotes, os planos econômicos e a concorrência produzindo chicotes com qualidade inferior inviabilizaram a atividade e Geraldo começou a comercializar, no atacado, um mix maior de peças para equilibrar as vendas.

Chave da porca do cesto: ferramenta inventada por Geraldo Custódio

Chave da porca do cesto: ferramenta inventada por Geraldo Custódio da Silva

Nascia, então, a Polipartes, varejista fundada juntamente com o filho Eduardo e o irmão Eli Oliveira da Silva. “Ele decidiu ir para o varejo, onde conseguia falar com os técnicos, avaliar a qualidade dos produtos, falar com os fornecedores sobre a qualidade, funcionalidade dos produtos. Estava realizado com o varejo e se apaixonou”, enfatiza o diretor geral da empresa.

Mesmo sem enxergar, o refrigerista que conquistou o Brasil sempre será lembrado pela determinação com que trabalhava, deixando como legado, para os filhos Eduardo e Elaine, o precioso ensinamento de valores que conduzirão a família para sempre.

Se a vida do homem é uma eterna busca por conhecer a si mesmo, no dia 25 de junho, pouco mais de duas semanas após seu passamento, Geraldo fez jus a este pensamento, quando teve suas cinzas jogadas na Praia Vermelha, no tradicional bairro da Urca, zona sul do Rio, onde tudo começou.

Eduardo Silva, diretor geral da Polipartes, loja de peças e acessórios de refrigeração e ar condicionado do Rio de Janeiro

Eduardo Silva, sucessor do pai na Polipartes


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